As ações da Tubos Reunidos despencam em meio ao espectro de um processo de falência.

  • As ações da Tubos Reunidos caíram quase 40% em uma única sessão, para 0,14 euros por ação.
  • A empresa basca reconhece à CNMV que não descarta a possibilidade de requerer a falência voluntária.
  • A empresa possui uma dívida de cerca de 263 milhões de euros, tendo a SEPI como principal credora, e prevê grandes prejuízos em 2025.
  • O plano de viabilidade inclui uma redução da força de trabalho em cerca de 240 funcionários e a busca por um investidor industrial, que ainda não foi encontrada.

Mercado de ações da Tubos Reunidos despenca

O dia na bolsa de valores foi especialmente difícil para Tubos Montadoscujas ações sofreram uma queda acentuada na bolsa de valores espanhola. Em apenas algumas horas, o preço das ações despencou quase 40%, refletindo a crescente ansiedade dos investidores diante de um possível processo de falência e uma situação financeira muito difícil.

Num contexto marcado por Rumores de insolvência, negociações fracassadas e altos níveis de endividamento.A empresa sediada no País Basco está sob intenso escrutínio dos mercados, dos reguladores e dos seus próprios funcionários. A possibilidade de a histórica fabricante de tubos declarar falência já não é apenas um rumor: a própria empresa admitiu publicamente que essa opção está sendo considerada.

Quebra histórica do mercado de ações e reação do mercado

Ações da Tubos Reunidos em bolsa

A punição no pregão foi imediata após se tornar público que Tubos Reunidos finaliza o preparativos para processos de falênciaSegundo diversas reportagens, incluindo as de veículos de comunicação financeira como El Confidencial e Cinco Días, o escritório de advocacia Uría Menéndez está assessorando a empresa na preparação desse processo, cujo cronograma se estenderia pelas próximas semanas.

Nos estágios iniciais da sessão, o valor despencou para cerca de 40%As ações estavam cotadas a apenas €0,133 antes da queda se moderar ligeiramente. Ao meio-dia, as ações oscilavam em torno de... 0,14 eurosIsso representou perdas de cerca de 35%. No final, as ações fecharam o dia com uma queda de aproximadamente [valor omitido]. 36,5% -37,5%, consolidando uma das piores sessões de sua história recente.

O que tem surpreendido muitos participantes do mercado é que, apesar da brusquidão da mudança e da avalanche de informações sobre uma possível falência iminente, A CNMV não interrompeu as negociações. durante a sessão. O colapso ocorreu, portanto, enquanto as ações eram negociadas normalmente, impulsionadas por ordens de venda contínuas e uma atmosfera de enorme incerteza.

Essa mudança se soma a um declínio mais prolongado: nos últimos meses, a empresa acumulou uma queda de cerca de Queda de 70% no valor das açõesIsso reflete a falta de confiança do mercado na capacidade da empresa de reverter a situação. Para muitos investidores, o processo de falência é agora visto como um cenário cada vez mais provável.

Fontes próximas ao conselho de administração indicam que os órgãos diretivos da empresa Eles acompanham de perto a evolução dos preços e o fluxo de notícias.Embora não descarte a possibilidade de convocar reuniões urgentes para analisar a situação, a administração tem tentado, até agora, manter alguma margem de manobra, mas a pressão do mercado está reduzindo o prazo para a tomada de decisões.

Admissão do possível pedido de falência voluntária

Após o fechamento do mercado, a Tubos Reunidos enviou um fato relevante para a Comissão Nacional do Mercado de Valores Mobiliários (CNMV) em que, pela primeira vez, ele reconhece abertamente que não pode descartar a possibilidade de um pedido. declaração de falência voluntáriaEste é um passo significativo, visto que a empresa havia evitado anteriormente confirmar esse cenário de forma tão explícita.

Em sua comunicação ao supervisor, o grupo admite que Não conseguiu garantir novos financiamentos nem a entrada de parceiros estratégicos. Isso permitiria o relançamento do negócio. A empresa também reconhece que a queda nos negócios a colocou em uma situação que "compromete sua viabilidade" e que pode forçá-la a adotar "medidas adicionais" caso a situação não melhore.

O texto submetido à CNMV sublinha a existência de um incerteza material quanto à capacidade da empresa de continuar operando normalmente.Isso está em consonância com os alertas já emitidos pela empresa de auditoria Ernst & Young (EY). Esses auditores indicaram em seus relatórios a existência de “dúvidas significativas” sobre a capacidade da Tubos Reunidos de continuar operando sem uma grande reestruturação.

Além disso, o próprio Inspeção de trabalhoNo âmbito do plano de redução de pessoal da empresa (ERE), constatou-se que os resultados do grupo refletem uma perda prolongada de rentabilidade operacional e que existe uma "causa legal para dissolução". Essa avaliação particularmente severa reforça a ideia de que o processo de insolvência pode ser, em última análise, a única maneira de retificar a situação.

A possibilidade de requerer falência é apresentada como um mecanismo para reorganizar os passivos, ganhar tempo nas negociações com os credores e, eventualmente, facilitar a entrada de um investidor industrial que possa fornecer capital e estabilidade a longo prazo. Mas, como reconhecem fontes do setor financeiro, o sucesso dessa estratégia dependerá de como a reestruturação da dívida for conduzida, especialmente a dívida vinculada ao SEPI.

Dívida descontrolada e resgates financeiros fracassados

Um dos elementos centrais da crise dos Tubos Reunidos é a sua dívida elevada, que ronda os 263 milhões de euros.Uma parte substancial desse valor corresponde a empréstimos vinculados à Empresa Estatal de Participações Industriais (SEPI), que se tornou a principal credora após o pacote de resgate aprovado durante a pandemia de Covid-19.

Em 2021, o grupo siderúrgico recebeu um aporte de recursos por meio do fundo de apoio a empresas estratégicas, que, com diversas expansões, tornou-se um dívida com a SEPI na ordem dos 150 milhões de eurosApesar das tentativas da empresa de renegociar os termos — incluindo a busca por um refinanciamento bancário mais amplo — as negociações não resultaram em um acordo significativo.

As propostas apresentadas pelo setor público têm se concentrado principalmente em para tornar as condições de reembolso do empréstimo mais flexíveis.sem aceitar, por ora, uma redução significativa do capital principal. Essa relutância do Estado em assumir prejuízos tem dificultado a entrada de novos investidores privados, que se mostram relutantes em investir capital a menos que o ônus financeiro seja substancialmente aliviado previamente.

Nos últimos meses, a empresa explorou a opção de ter um parceiro industrial —com o apoio explícito do Governo Basco— isso ajudaria a sustentar a produção e manter a atividade nas fábricas. No entanto, a combinação de resultados negativos, dívida elevada e a ausência de um plano de viabilidade totalmente acordado fez com que, por enquanto, nenhum candidato desse o passo final.

O objetivo da possível reestruturação é duplo: por um lado, Organize o cronograma de pagamentos e evite problemas imediatos de liquidez.Por outro lado, o objetivo é criar uma estrutura estável que permita a continuidade da produção e preserve o máximo possível de empregos. No entanto, atrasos e divergências nas negociações com os principais credores reduziram gradualmente a margem de manobra da empresa, levando-a à beira da falência.

Prejuízos milionários e declínio dos negócios

A pressão financeira é agravada por Resultados operacionais fracos nos últimos anosA Tubos Reunidos encerrou 2025 com prejuízos de cerca de 118 milhões de euros, uma mudança radical em comparação com os lucros obtidos em 2024 (cerca de 28,6 milhões), o que demonstra a acentuada deterioração de sua situação econômica.

A retração dos negócios é atribuída a diversos fatores. Entre eles, o impacto do tarifas sobre as importações de aço e alumínio nos Estados Unidos, que chegam a aproximadamente 50%. e afetam diretamente um de seus mercados externos mais importantes. Esse contexto internacional reduziu as margens e o volume de vendas, intensificando as dificuldades de uma empresa que já estava bastante alavancada.

Para agravar as adversidades do ambiente empresarial, há o redução da atividade em algumas de suas fábricasPrincipalmente após a greve na fábrica de Amurrio (Álava). A greve por tempo indeterminado e a paralisação da produção nessas unidades agravaram a queda na receita e dificultaram a implementação do plano de viabilidade elaborado pela administração.

Relatórios externos, tanto de auditores quanto da Inspeção do Trabalho, enfatizam que A rentabilidade operacional deteriorou-se de forma constante....a ponto de questionar se o negócio pode sobreviver sem uma intervenção drástica. Esses alertas, que em outros momentos poderiam ter servido como um alerta para acelerar as soluções, acabaram sendo mais um reflexo da estagnação e da falta de consenso.

A combinação de perdas recorrentes, um elevado fardo financeiro e nenhum progresso na atração de novos membros levou muitos analistas a acreditar que o A via da insolvência tornou-se, de facto, a única alternativa viável. para retificar a situação. A questão agora é como esse processo afetará os diversos credores e a força de trabalho.

Plano de viabilidade, plano de redução da força de trabalho e conflito trabalhista

Para tentar estancar a hemorragia, a Tubos Reunidos lançou uma Plano de viabilidade baseado em três pilares principaisO plano inclui: redução do quadro de funcionários por meio de um processo de demissão voluntária, reestruturação da dívida e busca por novos investidores. Desses três pilares, apenas o ajuste do quadro de funcionários apresentou progresso efetivo.

A redução proposta na força de trabalho afetou um pouco mais de 300 trabalhadoresembora após negociações o valor tenha sido reduzido para cerca de Saídas 240-242O acordo, que foi principalmente voluntário, incluía uma indenização equivalente a 45 dias por ano de serviço e opções de aposentadoria antecipada, incluindo a aposentadoria a partir dos 57 anos, com o objetivo de mitigar o impacto social dos cortes.

Apesar dessas condições, Os principais sindicatos do País Basco — ELA, LAB, UGT e ESK — contestaram o ERE (Processo de Regulamentação do Emprego). perante o Supremo Tribunal de Justiça do País Basco. Os sindicatos questionam tanto o conteúdo do reajuste quanto o contexto em que ocorreu e mantêm os protestos e uma greve por tempo indeterminado na fábrica de Amurrio, o que resultou em paralisações prolongadas da produção.

A Inspeção do Trabalho, por sua vez, endossou a correção formal do processoO relatório concluiu que as negociações foram conduzidas sem fraude e com as garantias necessárias. Embora reconhecendo a gravidade da situação financeira da empresa, o relatório também indicou que havia razões objetivas que justificavam os cortes de empregos, o que tensionou ainda mais as relações entre os representantes sindicais e a administração.

Em paralelo, o Governo Basco tentou agir como mediador e catalisador de uma solução industrialA pressão sobre o governo central para que flexibilize as condições do empréstimo SEPI e, assim, permita a entrada de um parceiro estratégico, ainda não resultou em uma mudança substancial na posição da administração central, que continua se recusando a considerar uma redução da dívida pública.

Perspectivas e possíveis cenários para Tubos Reunidos

Com todos esses elementos em discussão, o futuro imediato de Tubos Reunidos é debatido entre uma reestruturação ordenada sob supervisão judicial ou deterioração adicional caso as decisões sejam adiadasOs potenciais processos de falência são vistos como uma ferramenta para tentar preservar a atividade industrial e maximizar a recuperação para os credores, mas também levantam dúvidas sobre seu impacto no emprego e nas fábricas do grupo.

Na frente financeira, a prioridade seria... redefinir os termos e condições da dívida de 263 milhõesCom especial atenção à posição da SEPI. Qualquer solução que não tenha a aprovação do principal credor público dificilmente terá sucesso, portanto, as próximas semanas serão cruciais para verificar se será possível chegar a um acordo ou se as negociações se tornarão ainda mais complicadas no âmbito da insolvência.

Para a rede de produção basca e o setor siderúrgico espanhol, o desfecho deste caso é visto como um termômetro de gestão de crises empresariais com forte envolvimento públicoA Tubos Reunidos não é uma empresa qualquer: sua trajetória histórica, seu peso no emprego industrial e a presença do Estado em seu capital por meio de empréstimos tornam sua situação uma questão de relevância econômica e política.

Entretanto, os investidores parecem ter uma visão clara: o Falta de progresso visível na busca por parceiros e no refinanciamento. Isso minou a confiança na capacidade do grupo de se recuperar. O colapso do preço das ações e a volatilidade das últimas sessões mostram que o mercado está precificando um cenário muito complexo, com uma parcela significativa do atual accionistas já se pressupõe a possibilidade de grandes perdas.

Enquanto aguarda a confirmação do pedido formal de falência e a finalização dos termos de uma possível reestruturação, a empresa enfrenta um momento crucial. O que acontecer daqui para frente determinará não apenas o futuro da empresa. Tubos Montadosmas também a forma como são abordados na Espanha os resgates públicos e as reorganizações de empresas industriais estratégicas sujeitas a uma tempestade perfeita de dívidas, falta de rentabilidade e desconfiança nos mercados.

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